Como está o caso? Dois são condenados por morte de 4 jovens dentro de BMW por inalação de monóxido de carbono em SC
16/06/2026
(Foto: Reprodução) Jovens mortos em carro de luxo em Balneário Camboriú
Duas pessoas foram condenadas pelas mortes de quatro jovens encontrados desacordados dentro de uma BMW em Balneário Camboriú (SC), em janeiro de 2024. Jhones Smith Jesus da Silva e Adailton Moreira da Silva receberam pena de 1 ano e 4 meses de prisão, em regime semiaberto, por quatro crimes de homicídio culposo (sem intenção de matar).
A decisão foi proferida em 27 de março de 2026, mais de dois anos após o caso, e um dos réus recorreu. As partes foram intimadas em 2 de junho, mas até esta terça-feira (16), não havia data definida para novo julgamento.
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As vítimas morreram por asfixia após inalarem monóxido de carbono. Conforme a denúncia do MP, Jhones seria sócio-administrador da oficina que fez modificações no veículo que causou o vazamento do produto, enquanto Adailton foi o responsável por fazer o serviço no automóvel.
Na decisão, que cabe recurso, o juiz Gilberto Gomes de Oliveira Júnior citou negligência, imprudência e imperícia das partes para as mortes. Os condenados poderão recorrer em liberdade.
A defesa de Jhones, feita pelo advogado Mateus Alves Pereira, disse que respeita a decisão do poder judiciário, "mas considera equivocada e injusta". O g1 busca a defesa de Adailton.
"A sentença atribuiu ao Jhones, proprietário da empresa, uma responsabilidade que, na prática, pertence a terceiro. Por isso, já apresentamos recurso de apelação com confiança de que a decisão será reformada" (veja íntegra abaixo).
Quem eram as vítimas e como morreram?
Jovens morreram por asfixia com monóxido de carbono em Balneário Camboriú
Redes Sociais/Reprodução
Gustavo Pereira Silveira Elias, de 24 anos, Karla Aparecida dos Santos, de 19, Tiago de Lima Ribeiro, de 21, e Nicolas Kovaleski, de 16, foram encontrados desmaiados no carro estacionado dentro da rodoviária de Balneário Camboriú na manhã de 1º de janeiro de 2024. Eles chegaram a ser socorridos, mas as mortes foram confirmadas no local.
Na investigação, a Polícia Científica concluiu que o monóxido de carbono que matou os jovens vazou através da ruptura de uma peça, denominada downpipe, e entrou na cabine do veículo por meio do ar condicionado. O homem que fez a peça modificada instalava itens automotivos a partir da experiência como soldador em uma empresa de laticínios.
O que é downpipe, peça que foi modificada e rompeu em BMW
"Conclui-se que a retirada do catalisador ocasionou o aumento da liberação do monóxido de carbono (CO), o que aliado a má-qualidade da fabricação e instalação do downpipe, contribuiu para que os gases se acumulassem no compartimento do motor, penetrando no interior do veículo através do acionamento do sistema de ar condicionado", escreveu o juiz.
Os jovens ficaram cerca de quatro horas dentro do carro ligado com o ar-condicionado funcionando. Uma sobrevivente e que ficou alguns momentos dentro do carro ouviu das vítimas que haviam comido um cachorro-quente na praia e relacionaram náuseas, tonturas, e a tremedeira ao alimento.
Vítimas estavam há pouco tempo em SC
Os jovens eram de Paracatu, e Patos de Minas, em Minas Gerais, mas se mudaram para cidades da Grande Florianópolis pouco menos de um mês antes para trabalhar.
O motorista Thiago de Lima Ribeiro, dono do carro, e mais três amigos saíram em 31 de dezembro de 2023 para passar o réveillon em Balneário Camboriú, que fica a cerca de 80 quilômetros da capital catarinense. Eles se locomoveram já com a BMW.
Após assistirem ao show de fogos de artifício, conforme a denúncia, por volta de 1h30 o grupo foi até a rodoviária da cidade do Litoral Norte para esperar a namorada de um deles, que estava chegando de Minas Gerais.
Durante o trajeto até o terminal de ônibus, os amigos enfrentaram congestionamento em Balneário Camboriú. Já durante este percurso, as vítimas começaram a se sentir mal.
Segundo a investigação policial, a mulher que o grupo aguardava na rodoviária chegou de Minas Gerais de ônibus, por volta das 3h, e ficou aguardando os ocupantes da BMW, que iriam encontrá-la.
Neste tempo, a jovem entra e sai do carro seguidas vezes, explica o delegado. "Ela não permaneceu o tempo todo dentro do veículo, que ficou ligado por cerca de três a quatro horas, com ar-condicionado ligado".
Como todos continuam passando mal, Thiago ligou para o Corpo de Bombeiros Militar, que orientou que eles chamassem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Porém, isso não foi feito.
Por volta das 7h, segundo a denúncia, a jovem que chegou de ônibus constatou que os ocupantes da BMW estavam sem sinais vitais e o SAMU foi chamado. Foram feitas tentativas de reanimação por 40 minutos, sem sucesso, e as mortes foram constatadas.
Customização da BMW
BMW estacionada em rodoviária de Balneário Camboriú onde corpos foram achados
Felipe Sales/NSC TV
De acordo com a denúncia, Thiago queria mais potência e mais barulho no escapamento. Ele contratou o serviço para alterar o carro, uma BMW 320i M Sport.
A customização, que custou R$ 25 mil ao motorista, substituiu a peça que tinha o catalisador do veículo por outro pedaço de tubo, conhecido como "downpipe", e sem o elemento catalisador. Esse, no entanto, é responsável pela redução de gases poluentes emitidos pelo motor do veículo, dentre eles o monóxido de carbono.
O serviço foi terceirizado. A peça colocada sofreu uma ruptura e provocou uma abertura no tubo de escapamento dos gases.
Ainda conforme a denúncia, parte do gás acumulado entrou no compartimento de admissão do ar-condicionado do carro, intoxicando as vítimas.
O que diz a defesa de Jhones
A defesa respeita a decisão do poder judiciário, mas considera equivocada e injusta. A sentença atribuiu ao Jhones, proprietário da empresa, uma responsabilidade que, na prática, pertence a terceiro. Por isso, já apresentamos recurso de apelação, confiantes de que a decisão será reformada. O principal argumento é a ausência de nexo causal. A condenação de Jones se baseia em uma em uma responsabilidade objetiva, o que é proibido no direito penal.
Jhones atuou apenas como intermediário da contratação do serviço, que foi inteiramente executado por outro profissional, responsável pela fabricação e instalação da peça. A falha que causou a tragédia foi um defeito técnico na execução do serviço, ato que não foi praticado por Jones. A relação entre as partes era estritamente profissional e comercial.
Jhones, como intermediário de serviços automotivos, terceirizou a fabricação e a instalação do escapamento para Adailton, que era um prestador de serviço autônomo especializado nesse tipo de trabalho.
Defesa do sócio da oficina que modificou BMW fala sobre condenação em SC
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